Condições de trabalho em casa durante a pandemia

uma análise do discurso do sujeito coletivo dos trabalhadores do setor de agências de turismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7784/rbtur.v15i1.2200

Palavras-chave:

Trabalhadores, Home office, Covid-19, Turismo, Complexidade

Resumo

A pandemia da Covid-19 agravou as condições precárias de trabalho, já em curso, e acentuou a exploração dos trabalhadores a partir de novas configurações do labor, como o home office, a transformação do lar em ambiente de trabalho, a intensificação e flexibilização das jornadas e a perda de direitos sociais. Assim, a presente pesquisa teve como objetivo analisar as condições de trabalho em casa durante a pandemia da Covid-19 a partir do discurso do sujeito coletivo dos trabalhadores do setor de agenciamento de viagens. Para tanto, o percurso teórico-metodológico foi norteado pelo método da complexidade, contemplando pesquisa bibliográfica, entrevistas virtuais para coleta de dados e aplicação do Discurso do Sujeito Coletivo e da Análise de Discurso. Como resultados, observou-se percepções contraditórias e complementares dos trabalhadores quanto às suas condições de trabalho durante a pandemia, destacando-se: redução salarial significativa; desproteção à saúde do trabalhador; e migração ao modelo de trabalho em casa sem garantia dos recursos adequados. Dessa forma, torna-se evidente a precarização das condições de trabalho e o esfacelamento dos direitos sociais trabalhistas.

Biografia do Autor

Ivan Conceição Martins da Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF) Niteroi, RJ, Brasil.

Mestre em Turismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Bacharel em Turismo pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro do Grupo de Pesquisa Turismo, gestão e territórios (UFF) e do Núcleo de Pesquisas em Politicas Publicas de Turismo, da Universidade de Brasília (UnB). Áreas de interesse: políticas públicas; qualificação profissional; educação em turismo; turismo e trabalho; metodologia científica; e epistemologia do turismo.

Marina Hastenreiter Silva, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Mestre em Turismo pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Turismo da Universidade Federal Fluminense (PPGTUR-UFF). Especialista em Turismo, Meio Ambiente e Negócios pela Universidade Estácio de Sá (UNESA). Graduada em Turismo pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade). Integrante do Grupo de Pesquisa Turismo, Trabalho e Território (UFF) e do Grupo de Pesquisa de Estudos Sociais em Hospitalidade e Lazer (UFRRJ). Principais interesses de pesquisa: turistificação, turismo e território, turismo urbano e condições dos trabalhadores do setor do turismo.

Mayra Laborda Santos, Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Cultura Amazônica (Neicam), Manaus, AM, Brasil.

Mestra em Turismo pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Turismo da Universidade Federal Fluminense (PPGTUR-UFF). Integrante do Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Cultura Amazônica (Neicam) e do Grupo de Pesquisa Turismo em Tempos de Pandemia. Principais interesses de pesquisa: turismo na Amazônia; turismo em Unidades de Conservação; condições de trabalho no turismo.

Referências

Antunes, R. (2009). Os Sentidos do Trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho (2a ed.). Boitempo.

Antunes, R. (2020). Coronavírus: o trabalho sob fogo cruzado. Boitempo.

Basso, D., & Barreto, I., Jr. (2018). O teletrabalho e a supressão de seus direitos na reforma trabalhista. Revis-ta do Direito do Trabalho e Meio Ambiente do Trabalho, 4 (1), 59-76. https://doi.org/10.26668/IndexLawJournals/2525-9857/2018.v4i1.4301

Cañada, E. (2017). Por qué se precariza el trabajo turístico? Sin Permissó, 1-8. Recuperado de: https://www.sinpermiso.info/textos/por-que-se-precariza-el-trabajo-turistico

Coelho, M., & Sakowski, P. (2014). Perfil da mão de obra do turismo no brasil nas atividades características do turismo e em ocupações. Brasília: IPEA.

Cruz, R. (2018). Desenvolvimento desigual e turismo no Brasil, Confins [En ligne], 36 (1), 1-15. https://doi.org/10.4000/confins.13707

Dacheri, E., & Feuser, M. (2019). O teletrabalho e as principais críticas diante da reforma trabalhista. Anais do Congresso Nacional do Conpedi, Porto Alegre, RS, Brasil, 27. Recuperado de: http://conpedi.danilolr.info/publicacoes/34q12098/a210870r/o7sch5pg1nkbrY91.pdf

Dal Rosso, S. (2017). O ardil da flexibilidade: os trabalhadores e a teoria do valor. Boitempo.

Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos -DIEESE. (2020). Pesquisa nacional da Cesta Básica de Alimentos/Salário mínimo nominal e necessário. Recuperado de: https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html.

Ebert, P. (2019). O teletrabalho na reforma trabalhista: impactos na saúde dos trabalhadores e no meio am-biente do trabalho adequado. Revista Dos Estudantes De Direito Da Universidade De Brasília, (15), 163-172. Recuperado de: https://periodicos.unb.br/index.php/redunb/article/view/22387

Flick, U. (2009). Introdução à Pesquisa Qualitativa (3a ed.). Artmed.

Gomes, R., Silva, V., & Silva, A. (2002). Estado, Turismo e Mercado de Trabalho, Scripta Nova - Revista Electró-nica de Geografía y Ciências Sociales, 7 (119), Recuperado de: http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn119129.htm.

Harvey, D. (2011). O enigma do Capital e as crises do Capitalismo (J. Peschanski. Trad.). Boitempo.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. (2019). Produto Interno Bruto dos Municípios/ 2017. Recuperado de: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101688_informativo.pdf

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA. (2018). Extrator de dados: Dimensão da ocupação nas ACTs. Recuperado de: http://extrator.ipea.gov.br/#cancel

Lefevre, F. (2017). Discurso do sujeito coletivo: Nossos modos de pensar, nosso eu coletivo. Andreoli.

Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo De-creto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, e as Leis nos 6.019, de 3 de janeiro de 1974, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 8.212, de 24 de julho de 1991, a fim de adequar a legislação às novas rela-ções de trabalho. Recuperado de: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm

Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020. Altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, para dispor sobre parâmetros adicionais de caracterização da situação de vulnerabilidade social para fins de elegibili-dade ao benefício de prestação continuada (BPC), e estabelece medidas excepcionais de proteção social a serem adotadas durante o período de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (Covid-19) responsável pelo surto de 2019, a que se refere a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Recuperado de: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/L13982.htm

Mattos, M. (2019). A classe trabalhadora: de Marx ao nosso tempo. Boitempo.

Martoni, R., & Alves, K. (2019). As condições da classe trabalhadora em atividades características do turismo: especificidades e tendências socioprodutivas. Rosa dos Ventos – Turismo e Hospitalidade, 11(1), 211-223. http://dx.doi.org/10.18226/21789061.v11i1p211.

Mayer, V., & Coelho, M. Gestão de serviços pós-covid: o que se pode aprender com o setor de turismo e via-gens. Revista Eletrônica Gestão & Sociedade, 14(39), 3698-3706. Recuperado de: https://ges.emnuvens.com.br/gestaoesociedade/article/view/3306/1471 . https://doi.org/10.21171/ges.v14i39.3306

Medida Provisória nº 936 de 1º de abril de 2020. Institui o Programa Emergencial de Manutenção do Empre-go e da Renda e dispõe sobre medidas trabalhistas complementares para enfrentamento do estado de calamidade pública reconhecido pelo Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, e da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus ( covid-19 ), de que trata a Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, e dá outras providências. Recuperado de: https://www.conjur.com.br/dl/mp-9362020.pdf

Meliani, P. (2011). Crítica à estética da Mercadoria no Turismo: Dilemas da precarização do trabalho na pro-dução do espaço de Itacaré, litoral sul da Bahia (Tese de Doutorado). Programa de pós-graduação em Geografia da UFPE, Recife, PE, Brasil. Recuperado de: https://repositorio.ufpe.br/bitstream/123456789/6014/1/arquivo1466_1.pdf

Meliani, P., & Gomes, E. (2010). Contradições entre a importância do trabalhador e a precarização das rela-ções de trabalho no turismo: notas primeiras de uma pesquisa de tese para doutoramento. Revista Turismo & Desenvolvimento, 1(13), 117-126. Recuperado de: http://revistas.ua.pt/index.php/rtd/article/view/1217/1113

Morin, E. (2006). Introdução ao pensamento complexo (E. Lisboa, Trad.). Sulina.

Orlandi, E. (2003). A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso (4a ed.). Pontes.

Ouriques, R. (2005). A produção do turismo: Fetichismo e dependência. Alínea.

Ouriques, R. (2012). O turismo internacional na economia-mundo capitalista: elementos para uma crítica. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, 34 (2), 147-157. https://doi.org/10.4025/actascihumansoc.v34i2.17005

Paulo, J., Netto., & Braz, M. (2006). O modo de produção capitalista: a exploração do trabalho. In: Paulo, J., Netto, & Braz, M. Economia Política: uma introdução crítica (pp.95-123). Cortez.

Rafalski, J., & De Andrade, A. (2015). Home-Office: Aspectos exploratórios do trabalho a partir de casa. Temas em Psicologia, 23(2), 431-441. https://doi.org/10.9788/TP2015.2-14

Santos, L. (2018). Trabalho no Turismo: faces da precarização de um proletariado contemporâneo de serviços (Dissertação de mestrado). Programa de Pós-graduação em geografia humana/ USP. São Paulo, SP, Brasil.Recuperado de: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-16042019-171911/pt-br.php

Santos, B. (2020). A cruel pedagogia do vírus. Boitempo.

Saviani, D. (1994). O trabalho como princípio educativo frente às novas tecnologias. In: Ferretti, C. J., Zibas, D. M., Madeira, F. R., & Franco, M. L. P. B (org.). Novas tecnologias, trabalho e educação: Um debate multidisciplinar. Vozes.

Silva, I. [Ivan]. (2019). A dimensão política da qualificação profissional na política pública nacional de qualifi-cação profissional em turismo (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-graduação em Turismo da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil. Recuperado de: https://app.uff.br/riuff/handle/1/12602

Silva, M. [Marina]. (2019). Turistificação nos bairros da Gamboa e da Saúde: o discurso do sujeito coletivo dos moradores (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-graduação em Turismo da Universidade Fe-deral Fluminense, Niterói, RJ, Brasil. Recuperado de: https://app.uff.br/riuff/handle/1/11927

Sindicato das Empresas de turismo no Estado do Rio de Janeiro - SINDETUR-RJ. (2019). Convenção Coletiva do Trabalho 2019/2020. Recuperado de: https://www.sindetur-rj.com.br/convencao.php

Sindicato das Empresas de turismo no Estado do Rio de Janeiro - SINDETUR-RJ. (2020). Termo Aditivo Emer-gencial CCT 2019-2020 - MP 936. Recuperado de: http://sindetur-rj.com.br/PDF/termo-aditivo-mp-936.pdf

Vinuto, J. (2014). A amostragem em bola de neve na pesquisa qualitativa: um debate em aberto. Temáticas, 44 (22), 203-220. https://doi.org/10.20396/temáticas.v22i44.10977.

Publicado

2021-01-14

Edição

Seção

Chamada especial: Turismo e COVID-19