Turismo de Segundas residências no litoral sul do Brasil: uma discussão sobre seu dimensionamento e relevância para a atividade turística contemporânea

  • Cinthia Sena Abrahão UFPR - Universidade Federal do Paraná
  • Edegar Luis Tomazzoni Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Turismo. Segunda Residência Turística. Políticas Públicas. Região Sul. Brasil.

Resumo

O objetivo deste artigo consiste em analisar a dimensão da segunda residência turística litorânea na região Sul do Brasil, considerando a premissa de que esse fenômeno persiste relevante no âmbito da atividade turística, tanto em nível internacional, como nacional. Compreende-se a segunda residência como uma tipologia não hoteleira de hospedagem turística, na qual existe um vínculo permanente, mas cuja permanência não exceda ao período de um ano. Aspecto particular refere-se à sua vinculação com as atividades de construção civil, bem como do mercado imobiliário. Problematiza-se a relativa invisibilidade do fenômeno da segunda residência nas bases de dados que subsidiam a elaboração das políticas públicas e ações relativas ao turismo, tanto no âmbito nacional, como nos estados. Em termos de metodologia, a abordagem do tema nesse recorte foi quantitativa e de caráter exploratório. A perspectiva exploratória guiou a revisão bibliográfica, com vistas a compreender a política pública de desenvolvimento turístico e suas prioridades, bem como discutir o fenômeno da segunda residência turística e a forma pela qual tem sido abordado. A análise dos dados secundários envolveu coleta, sistematização e interpretação, tendo em vista explicitar a participação e o crescimento do volume de segundas residências litorâneas. Os dados foram coletados, exclusivamente, para os municípios litorâneos, dos três estados da região sul brasileira nas bases do IBGE. Em seguida foram analisados em processo comparativo dados relativos ao mapa do turismo, no qual os destinos turísticos são classificados. Os resultados reiteram que a desconsideração desses fluxos e dessas dinâmicas territoriais no âmbito da política pública de turismo tende a gerar fortes distorções no planejamento, na sua implementação e nos resultados que poderão ser obtidos. Entende-se que sua apreensão, no entanto, requer um esforço de levantamento, sistematização e análise estatística distinto daquele que deve ser empreendido para mensurar os fluxos econômicos advindos dos estabelecimentos empresariais relacionados a hospedagem.

Biografia do Autor

Cinthia Sena Abrahão, UFPR - Universidade Federal do Paraná
Economista, graduada na Universidade Federal de Uberlândia; Mestre em História pela Universidade de São Paulo; Doutora em Geografia pela Universidade Federal do Paraná e Pós-Doutora em Turismo pela Universidade de São Paulo. Pesquisadora na área de turismo, com foco conflitos territoriais e segunda residência turística.
Edegar Luis Tomazzoni, Universidade de São Paulo
Docente da Universidade de São Paulo (USP), na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Turismo (PPTUR), no Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política (PROMUSPP) e no Curso de Graduação em Lazer e Turismo. Doutor em Ciências da Comunicação com ênfase em Turismo e Desenvolvimento Regional, pelo Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP, 2007). Mestre em Turismo pela Universidade de Caxias do Sul (UCS, 2002). Especialista em Desenvolvimento Empresarial pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Engenharia Química pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Atuou no campo empresarial em realizações de eventos, como feiras, exposições e congressos de abrangência nacional e internacional, nos setores têxtil, moda, metalúrgico, automotivo, vitivinícola e turismo. É consultor organizacional de inovação de produtos, atrativos, serviços e desenvolvimento socioeconômico regional. Foi Docente permanente do Mestrado em Turismo da Universidade de Caxias do Sul (2007 - 2011), onde coordenou o Observatório de Turismo e Cultura (Observatur) da Serra Gaúcha.
Publicado
01-02-2018
Seção
Artigos